terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O ciclista, o desarmamento civil e uma esperança

Por Jony Bigu
Chovia pela manhã. Era um dia útil e eu precisava deixar minha esposa no trabalho. O trânsito estava bagunçado como costuma ser nos dias em que chove. Em um cruzamento, paro em cima de uma ciclofaixa esperando a oportunidade de entrar na via transversal (eu sei, eu errei).  Daí um ciclista vem e bate o ferro no para-choque do meu carro. Rapidamente ele pega uma ciclovia e foge. Nesse momento fui tomado por um ataque de raiva.
“Droga! Por que eu não vou atrás desse infeliz e dou uma encostada de leve pra derrubá-lo? Eu devia tirar pelo menos uma fina nesse desgraçado para mostrar para ele quem é o mais frágil.”
Sim, minha natureza é maldade. Se eu pensar só em mim, sou tentado a fazer as piores desgraças. O homem é naturalmente mal. Aí de mim se não fosse a graça de Deus.
O fato de estar teoricamente em vantagem em um carro me fez pensar que eu poderia fazer mal a alguém.  Ao chegar em casa entro numa discussão na internet defendendo o desarmamento civil. Pensei no que tinha ocorrido e cheguei  à seguinte conclusão.
Você é a favor do armamento civil até perceber que o pecado e a violência estão no coração do homem, e o armamento só intensificaria a barbárie e extinção humana. Seria melhor concentrar nossas energias em favor de uma cultura de paz e não numa cultura de medo e autoproteção. O mundo pode ser bem melhor que isso. E nós, igreja, podemos e devemos ser instrumento de transformação. Isso parece maluquice no atual contexto histórico, mas é assim que é a cultura do Reino de Deus, totalmente ilógica em relação à cultura dos homens sem Deus.  É difícil pensar numa alternativa, mas ainda tenho esperança.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Aécio, os evangélicos e o mundo do faz de conta.

Por Jony Bigu

Fico pensando como os evangélicos do Brasil vivem no mundo de faz de conta. É! Fazemos de conta que nossos líderes da mídia são pessoas honestas. Fazemos de conta que os políticos crentes não fazem politicagem como os outros. Isso porque irregularmente fazemos campanha política em igrejas, o que é proibido pelo artigo n° 37 da Lei 9.504/97, mas fazemos de conta que isso é “um projeto de Deus”. Fazemos de conta que isso não é corrupção. Para nós, corrupção é o que o PT faz. Mas quando é o candidato Aécio Neves, fazemos de conta que ele é uma boa pessoa. Fazemos de conta que ele é um cara honesto, fazemos de conta que ele nunca bateu na namorada, fazemos de conta que ele nunca foi preso dirigindo embriagado. E até o caso da cocaína é para nós apenas uma história de faz de conta. Pois a polícia prendeu um funcionário dele, em um helicóptero dele, em uma fazenda dele, indo para outra fazenda dele, para encontrar outro funcionário dele. Mas isso é só aparência e todo crente sabe que as aparências não contam, pois vivemos no mundo do faz de conta e fazemos de conta que isso é fé.
Daí, o PSC, “partido dos crentes”, recebe dinheiro para apoiar esse candidato. Os líderes do partido fazem de conta que não ganharam nada e convocam o povo evangélico para apoiar o candidato tucano, fazendo de conta que ele é uma benção. Alimentamos um discurso de ódio, mas fazemos de conta que está tudo bem. Oramos, fazendo de conta que Deus está do nosso lado, fazendo as nossas vontades. Deus, esse não faz de conta, não tem nada a ver com essa história nem se mete nisso. Mas nós, mesmo sabendo disso, fazemos de conta que o Todo Poderoso está com a gente, para fazer de conta pros outros que somos invencíveis.
Se o candidato tucano ganhar, vamos fazer de conta que essa foi a vontade de Deus. Caso haja aumento das desigualdades sociais, desemprego e outras mazelas, vamos fazer de conta que é um castigo que o Senhor está colocando para o Brasil. Aceitar que erramos, jamais! Vamos continuar fazendo de conta que está tudo bem e que somos quase perfeitos.

Talvez alguns evangélicos não gostem desse texto. Mas tudo bem. É só fazer de conta que nunca leu esse texto e continuar fazendo de conta que não sabe de nenhuma dessas informações e assim continuar fazendo de conta que isso tudo não é um faz de conta.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O combate ao pecado e a falta de graça.


Estava de bobeira na frente da tv quando vi em um noticiário a chegada do torcedora gremista acusada de injuria racial contra o goleiro santista Aranha para prestar depoimento em uma delegacia. Em meio a gritos raivosos, a moça saiu chorando muito.

Não quero colocar panos quentes numa atitude desprezível que a gremista cometeu, mas quero levantar outra questão. Será que estamos combatendo ações desprezíveis da maneira correta? Será que combater o ódio com o ódio dará resultado?

Achei ridículo a atitude da torcedora. Fiquei com muita raiva mesmo. Somos todos seremos humanos, e quando criamos diferenças dentro de nós, estamos apenas contribuindo para nossa destruição.

O racismo deve ser combatido com rigor. Todo crime deve ter sua punição, mas aplicação da justiça não restringe o perdão. A nossa terra está carente de graça e perdão. Peço a Deus para que nossos corações se tornem semelhante ao Dele, que abomina o pecado, mas recebe e cuida do pecador.


Sola Gratia...

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Falar palavrão não é o problema...

Por Jony Bigu

Essa é uma pergunta que já ouvi algumas vezes. Antes de tentar responder, gostaria de explicar o que eu entendo como palavrão. Tudo vai depender dessa definição. Geralmente, as pessoas dizem que palavrão são palavras de baixo calão. Aí vamos para outra questão: quais são as palavras de baixo calão. Varias fontes na internet falam que a expressão baixo calão dizia respeito ao andar de baixo dos navios negreiros, onde eram trazidos os escravos. A expressão tomou sentido na língua brasileira, tornando-se sinônimo de gíria. Ou seja, quando falamos de baixo calão, falamos de gírias, jargão baixo.

Com isso temos a seguinte conclusão usando o próprio termo calão. A questão não está na palavra escrita (a simples junção de letras), mas no significado que estas assumem na comunicação. Aqui a questão torna-se mais complexa, pois outras variáveis entram: a forma da comunicação, os indivíduos envolvidos na comunicação, além de outras coisas. Ou seja, há uma serie de fatores a serem considerados na comunicação.

Então, eu entendo que quando Paulo fala de palavras torpes (Ef. 4:29), ele não fala da simples junção de letras. Na versão Nova Tradução na Linguagem de Hoje, o versículo é traduzido da seguinte forma:
“Não digam palavras que fazem mal aos outros, mas usem apenas palavras boas, que ajudam os outros a crescer na fé e a conseguir  o que necessitam, para que as coisas que vocês dizem façam bem aos que ouvem” Ef 4:29 NTLH.

A questão não está na palavra em si, mas na intenção de prejudicar outra pessoa. Assim, palavra torpe seria qualquer palavra, mesmo não sendo de baixo calão, mas que seja mal intencionada ao irmão.

Aqui está a grande questão: por que julgamos algumas palavras somente pela sua grafia e toleramos palavras carregadas de maldade só por causa das palavras usadas? Isso é uma grande incoerência.

Dessa maneira, concluo também que algumas palavras consideradas de baixo calão podem não ser palavras torpes. Ora, só pra questão de exemplo (pode me julgar, sociedade kkkkkk), eu tenho uma prima que amo muito e carinhosamente eu a chamo de “cara de chibata”. Pra alguns, isso deve ser horrível, mas ela sabe que, seja lá qual for a palavra que eu use pra chama-la, eu tenho muito amor por ela. Pelo crivo bíblico, se não tem má intenção, nem humilha ninguém, então não é palavrão. Talvez se eu chamar uma outra pessoa será palavrão, mas com minha prima Gisele não é.

Outra referência que as pessoas gostam de usar é Mateus 12:36-37 que diz:

“Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado”.

Ora, se olharmos os versos anteriores veremos o mesmo sentindo, que o problema não é a palavra, mas a intenção do coração (Mt. 12:34).

Não é minha intenção fazer uma apologia ao palavrão e dizer que o crente pode falar palavrão. Minha intenção é dizer que não devemos fazer juízo precipitado e sair julgando as coisas sem ver todo o contexto da comunicação. Assim, concluo que, dependendo do contexto, falar algumas palavras tidas como palavrão, pode não é pecado nenhum. Falar palavrão não é o problema. O problema é a intenção em prejudicar e maltratar o outro.


Ass. Jony Bigu, que não é boca suja, pois escova os dentes no mínimo três vezes ao dia...

terça-feira, 1 de abril de 2014

O moralismo cristão e a campanha "eu não mereço ser estuprada"

Nos últimos dias, vi muita gente comentando a tal pesquisa do IPEA acerca das causas de estupros de mulheres. Dentre muitas opiniões, me chamou a atenção a opinião de muitos evangélicos que se incomodaram não com o resultado da pesquisa, mas com a maneira do protesto das mulheres. Isso porque para protestar contra o resultado da pesquisa, várias mulheres começaram a postar fotos seminuas na internet com a frase “eu não mereço ser estuprada”. Foram raríssimas as opiniões cristãs contra esse cenário machista que predomina em nossa sociedade. Ouvi muito foi o nosso velho moralismo que teima em permanecer (misericórdia de nós, meu Senhor!).

Mas aí alguém vai me falar: “Jony, você é a favor desse bando de piriguete que se aproveita da situação para se mostrar? Se ela nem mesmo se respeita porque vai querer que alguém lhe respeite?”

Eu sei que existem várias meninas que gostam de se insinuarem sim, gostam de provocar os desejos masculinos, mas entre sensualizar e ser abusada há uma grande diferença. Ora, quando ela sensualiza, além de mexer com os desejos masculinos, ela mexe com os seus também. Carnal, pecaminoso, mesmo que seja, há algum tipo de prazer nisso. No abuso não! O abuso sexual é um ato covarde, animalesco, aterrorizante. Não há prazer nenhum no abuso, pelo contrário, há muita dor. O abuso é um mal horrível.

O que me deixa triste é ler comentários de crentes concordando com a tal pesquisa indiretamente, desejando algo terrível para outro ser humano igual a ele.

Lembro-me de Jesus quando teve seus pés beijados por Maria Madelena, a prostituta (com certeza ela não estava vestida como uma irmã assembleiana). Enquanto até mesmo seus discípulos a julgavam, o Mestre saiu em defesa dela. Enquanto todos faziam dela uma pessoa indigna, Jesus devolveu-lhe a dignidade. E é isso que, nesse mundo machista, as mulheres mais precisam: dignidade. Em vez de julgarmos pela aparência, vamos lutar para que, independentemente do comportamento de algumas, todas as mulheres sejam valorizadas.

Ass. Jony Bigu – que mais uma vez escreve seus devaneios.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O beijo gay na Globo e o falso moralismo de muitos crentes


Por Jony Bigu

Às vezes eu fico pensando que tem muito crente moralista que não tem nada o que fazer. Quem me conhece sabe da minha posição em relação ao homossexualismo e, para quem não sabe, eu digo: para mim, a homossexualidade é pecado conforme afirma a Bíblia, assim como mentir, jogar pedra no gato, extorquir o povo usando a bíblia entre outras coisas que um vários crentes fazem e não veem problema. Mas não é sobre isso que eu queria falar. Quero voltar a minha mensagem para um bando de crente hipócrita que agora está fazendo campanha contra a Rede Globo só por causa do beijo entre os personagens de Thiago Fragoso (Niko) e Mateus Solano (Felix) no último capítulo da novela “Amor à vida”.

Mas alguém vai me dizer: “Jony, eles estão fazendo ‘apologia’ a valores anticristãos”. Certo, mas então por que os crentes não fizeram campanha nas cenas de violência, corrupção, traição, assédio moral, entre outras vistas ao longo da novela? Sabe por quê? Porque a grande maioria é hipócrita mesmo. Ora, o que é um beijo além de uma expressão íntima de afeto? Durante toda a novela, houve várias cenas de homoafetividade, aí  a galera vem fazer essa briga toda por conta de um beijo? Gente, por favor, né! Sobre as cenas quase pornográficas entre os personagens de Maria Casadevall (Patrícia) e do “irmão” Caio Castro (Michel), não houve reclamações! Isso só porque era um casal heterossexual (mantendo uma relação de adultério, que é pecado!)

Se você é crente e faz uma grande briga por conta de um afeto homossexual e acha normal a violência, o adultério, o assédio moral e a corrupção, se converta, pois você é apenas um falso moralista. Nós evangélicos estamos criando uma guerra que não deveria existir.

Ass. Jony Bigu – que assistiu a novela e não vai entrar na onda dos falsos moralistas.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

ROLEZINHO É POUCO


Por Ed René Kivitz 


Estou absolutamente consciente da absurda e vergonhosa desigualdade social e da camuflada atitude racista presente no tecido cultural brasileiro. Acredito na necessidade do engajamento militante por transformações das estruturas econômicas e de poder político. Propago a atitude crítica em relação à superficialidade da democracia, quando existem milhões de cidadãos em situação de abandono, vitimados por um Estado envolvido em corrupção sistêmica e com sua máquina pública loteada à mercê de interesses particulares de setores ocupados apenas com a perpetuação de seus privilégios. Sou favor de toda e qualquer manifestação pacífica em termos de protestos e reivindicações justas para o bem comum. 

Caso você acredite que todo posicionamento com implicações sociais e políticas pode ser enquadrado em uma das duas categorias, direita e esquerda, considero seu ponto de vista reducionista e ultrapassado. A sugestão de que quem apoia rolezinho é de esquerda, e portanto progressista, e quem não apoia é de direita, e portanto reacionário, é um anacronismo que polariza a discussão, impede a melhor compreensão dos fatos, atrapalha a necessária identificação do conflito subjacente ao fenômeno social, e atrasa a urgente construção coletiva de alternativas de caminhos de justiça e paz. 

Uma coisa é o rolezinho da galera da periferia, que ocupou os shoppings centers em busca de um espaço de lazer, azaração e desejo de consumo, em que a atitude transgressiva é inerente aos atos da adolescência e da juventude e a crítica à estrutura social é uma dimensão indireta. Outra coisa é a instrumentalização feita pelos militantes profissionais e grupos sociais organizados, que se apressaram em ideologizar / antropologizar / sociologizar / academicizar o movimento. Digo logo, eu acredito é na rapaziada. 

Acho chata essa mania de categorizar ideologicamente todo fenômeno ou comportamento social e explicar de maneira inteligente tudo o que acontece. Acho ridículo esse pessoal que considera o Big Brother um case de psicologia comportamental e um retrato sociológico e antropológico do Brasil. Da mesma maneira, não curto o pessoal que se apropria do rolezinho da molecada e se intromete de maneira oportunista para enfiar no meio da multidão suas bandeiras e gritos de guerra. Rolezinho com caráter político não é mais rolezinho, é protesto, passeata, movimento. A molecada quer pegar umas mina, tirar umas fotos bacanas para postar no face e, se der pra comprar um tênis mizuno, tá bom demais. Rolezinho não é militância. O que sugere, ainda outra coisa, a saber, a relevância das militâncias: a necessária mobilização popular a partir da reflexão crítica dos fatos socias. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Essa discussão sobre rolezinho me fez lembrar a diferença entre emancipação e libertação, especialmente a partir do pensamento do semiótico Walter Mignolo e do filósofo Enrique Dussel, ambos argentinos. Emancipação é originalmente a busca da liberdade. Implica o rompimento dos vínculos que impedem a autodeterminação. Exige a rebelião do indivíduo (ou grupo social) contra o que o limita e aprisiona a toda e qualquer condição de existência adversa independentemente de sua vontade própria.

Mignolo critica o conceito de emancipação, afirmando que se enquadra no universo discursivo do iluminismo, e, portanto, do que chamamos modernidade, que pretendia universalizar o modelo da classe social emancipada das monarquias, baseado na liberdade individual, fundamento da expansão colonial da Europa. Dussel sugere o termo libertação como mais adequado, pois implica o rompimento com as categorias do iluminismo europeu e do pensamento colonial moderno. A emancipação sugere a ascensão na estrutura social estabelecida pela burguesia europeia, enquanto a libertação implica o questionamento e a transformação dessa estrutura. Em termos simples, emancipado é quem sobe a escada social, libertário é quem questiona a existência da escada e acredita inaceitável que se considere justa e definitiva uma sociedade estratificada. 

A garotada que ocupa os shoppings centers não está fazendo crítica ao capitalismo neoliberal, e se calhar tá mais a fim de um boné john john e um smartphone com câmera fotográfica turbinada do que interessada em grandes debates e reivindicações de classe. Tudo indica que está mais comprometida com a emancipação. Apenas indiretamente está dizendo que não aceita como natural seu lugar na base da pirâmide e não vai mais permanecer nos perímetros geo-sociais delimitados pela burguesia. E todos têm sua razão. Quem vive longe da justiça não deve ser criticado por aspirar ao conforto. 

Também é verdadeiro que, além da emancipação, precisamos caminhar a passos mais largos na direção da libertação. Não basta distribuir ou dar acesso aos bens de consumo. É imperativo acelerar os processos de transformação das estruturas que promovem a perpetuação dos abismos sociais. 

Mais do que prática repetitiva, mantenedora do status quo, que tolera a inconformidade desde que submetida ao controle, carecemos de uma práxis libertadora, nos termos do teólogo espanhol Casiano Floristan. Práxis é ação reflexiva, com a coragem de perguntar por que as coisas são como são, questionar se precisam continuar assim, e criativa o suficiente para propor outro jeito de ser gente e ser sociedade, e lançar as sementes que fazem surgir um outro mundo possível.

Os fatos ocorridos no JK Iguatemi, em São Paulo, no sábado 18 de janeiro último, ilustram os conceitos de emancipação e libertação. Os rolezinhos geraram um constrangimento que levou o shopping a fechar as suas portas. Na calçada, ficaram tanto a molecada que em sua maioria queria apenas emancipação, quanto os grupos sociais organizados, que militam por libertação. Tomara a molecada aprenda que rolezinho se faz na praça de alimentação, mas militância se faz na calçada. Tomara as duas multidões se encontrem além da busca de emancipação, e marchem juntas a passos largos, rua afora pelo nosso Brasil, clamando e se mobilizando por libertação.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Como reconhecer uma seita?

Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes 

Existem milhares de religiões neste mundo, e obvia­mente nem todas são certas. O próprio Jesus advertiu seus discípulos de que viriam falsos profetas usando Seu nome, e ensinando mentiras, para desviar as pessoas da verdade (Mateus 24.24). O apóstolo Paulo também falou que existem pessoas de consciência cauterizada, que falam mentiras, e que são inspirados por espíritos enganadores (1 Timóteo 4.1-2).

Nós chamamos de seitas a essas religiões. Não estamos dizendo que to­dos os que pertencem a uma seita são deson­estos ou mal intencionados. Existem muitas pessoas sinceras que caíram vítimas de falsos profetas. Para evitar que isto ocorra conosco, devemos ser capazes de distinguir os sinais característicos das seitas. Embora elas sejam muitas, possuem pelo menos cinco marcas em comum:

(1) Elas têm outra fonte de autori­dade além da Bíblia. Enquanto que os cristãos admitem apenas a Bíblia como fonte de conhecimento verdadeiro de Deus, as seitas adotam outras fontes. Algumas forjaram seus próprios livros; outras aceitam revelações diretas da parte de Deus; outras aceitam a palavra de seus líderes como tendo autoridade divina. Outras falam ainda de novas revelações dadas por anjos, ou pelo próprio Jesus. E mesmo que ainda citem a Bíblia, ela tem autoridade inferior a estas revelações.

(2) Elas acabam por diminuir a pessoa de Cristo. Embora muitas seitas falem bem de Jesus Cristo, não o consideram como sendo ver­dadeiro Deus e verdadeiro homem, nem como sendo o único Salvador da humanidade. Reduzem-no a um homem bom, a um homem di­vinizado, a um espírito aperfeiçoa­do através de muitas encarnações, ou à mais uma manifestação diferente de Deus, igual a outros líderes religiosos como Buda ou Maomé. Freqüentemente, as seitas colocam outras pessoas no lugar de Cristo, a quem adoram e em quem confiam.

(3) As seitas ensinam a salvação pelas obras. Essa é uma característica universal de todas as seitas. Por acreditarem que o homem é intrinsecamente bom e capaz de por si mesmo fazer o que é preciso para salvar a sua alma, pregam que ele pode acumular méritos e vir a merecer o perdão de Deus, através de suas boas obras praticadas neste mundo. Embora as seitas sejam muito diferentes em sua aparência externa, são iguais neste ponto. Algumas falam em fé, mas sempre entendem a fé como sendo um ato humano meritório. E nisto diferem radicalmente do ensi­no bíblico da salvação pela graça mediante a fé.

(4) As seitas são exclusivistas quanto à salvação. Pregam que somente os membros do seu grupo religioso poderão se salvar. Enquanto que os cristãos reconhecem que a salvação é dada a qualquer um que arrependa-se dos seus pecados e creia em Jesus Cristo como único Senhor e Salvador (não importa a denominação religiosa), as seitas ensinam que não há salvação fora de sua comunidade.

(5) As seitas se consideram o grupo fiel dos últi­mos tempos. Elas ensinam que re­ceberam algum tipo de ensino se­creto que Deus havia guardado para os seus fiéis, perto do fim do mundo. É interessante que toda vez que nos aproximamos do fim de um milênio, cresce o número de seitas afirman­do que são o grupo fiel que Deus reservou para os últimos dias da humanidade.

Podemos e devemos ajudar as pes­soas que caíram vítimas de alguma seita. Na carta de Tiago está es­crito que devemos procurar ganhar aqueles que se desviaram da ver­dade (Tiago 5.19-20). Para isto, entretanto, é preciso que nós mes­mos conheçamos profundamente nossa Bíblia bem como as doutri­nas centrais do Cristianismo. Mais que isto, devemos ter uma vida de oração, em comunhão com Cristo, para recebermos dele poder e amor e moderação.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

“O dedo tecla aquilo que o coração está cheio”

Por Jony Bigu 


Ouvi há pouco a frase acima. Ela é uma adaptação do verso em Mateus 12:34 (a boca fala daquilo que o coração está cheio). Nossa boca é quem mais denuncia quem somos. Abraham Lincoln chegou a essa mesma conclusão ao afirmar que “é melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do quer falar e acabar com a dúvida”.

Hoje, o modo de se comunicar mudou. As relações virtuais tem ganhado destaque e, muitas vezes, até substituído as relações pessoais, o famoso “olho no olho”. Não podemos negar que a internet tem ajudado, democratizando mais a informação, todavia, o mau uso desse instrumento tem resultado em grandes problemas. A superficialidade na comunicação é um deles.

A não presença física parece não gerar um comprometimento. É bastante comum vermos pessoas darem boa tarde para todos e ao mesmo tempo não dar para ninguém. É tudo muito raso e muitas vezes soam com um ar de hipocrisia. Recentemente, a brincadeira é mudar de status para “relacionamento sério” com alguém que é só amigo. As experiências anteriores de brincar com coisas sérias não foi muito legal. Mas é dessa forma que nossa sociedade vai relativizando o sentido das coisas, tirando-lhe a profundidade.

É por isso que muitos não gostam da contradição. Algumas vezes eu comento algumas coisas e geralmente eu lanço a contradição, principalmente se for algo relacionado ao “mundo gospel”. As experiências são diversas. Uns recebem minha contradição, e a partir daí trocamos ideias. Mas para a grande maioria, eu não passo de um chato e não há diálogo nem troca de aprendizado.


Ass. Jony Bigu – que é chato mesmo de verdade e vem escrever suas ideias chatas aqui no Missões Salém, que não passa de um blog chato.