segunda-feira, 19 de maio de 2014

Falar palavrão não é o problema...

Por Jony Bigu

Essa é uma pergunta que já ouvi algumas vezes. Antes de tentar responder, gostaria de explicar o que eu entendo como palavrão. Tudo vai depender dessa definição. Geralmente, as pessoas dizem que palavrão são palavras de baixo calão. Aí vamos para outra questão: quais são as palavras de baixo calão. Varias fontes na internet falam que a expressão baixo calão dizia respeito ao andar de baixo dos navios negreiros, onde eram trazidos os escravos. A expressão tomou sentido na língua brasileira, tornando-se sinônimo de gíria. Ou seja, quando falamos de baixo calão, falamos de gírias, jargão baixo.

Com isso temos a seguinte conclusão usando o próprio termo calão. A questão não está na palavra escrita (a simples junção de letras), mas no significado que estas assumem na comunicação. Aqui a questão torna-se mais complexa, pois outras variáveis entram: a forma da comunicação, os indivíduos envolvidos na comunicação, além de outras coisas. Ou seja, há uma serie de fatores a serem considerados na comunicação.

Então, eu entendo que quando Paulo fala de palavras torpes (Ef. 4:29), ele não fala da simples junção de letras. Na versão Nova Tradução na Linguagem de Hoje, o versículo é traduzido da seguinte forma:
“Não digam palavras que fazem mal aos outros, mas usem apenas palavras boas, que ajudam os outros a crescer na fé e a conseguir  o que necessitam, para que as coisas que vocês dizem façam bem aos que ouvem” Ef 4:29 NTLH.

A questão não está na palavra em si, mas na intenção de prejudicar outra pessoa. Assim, palavra torpe seria qualquer palavra, mesmo não sendo de baixo calão, mas que seja mal intencionada ao irmão.

Aqui está a grande questão: por que julgamos algumas palavras somente pela sua grafia e toleramos palavras carregadas de maldade só por causa das palavras usadas? Isso é uma grande incoerência.

Dessa maneira, concluo também que algumas palavras consideradas de baixo calão podem não ser palavras torpes. Ora, só pra questão de exemplo (pode me julgar, sociedade kkkkkk), eu tenho uma prima que amo muito e carinhosamente eu a chamo de “cara de chibata”. Pra alguns, isso deve ser horrível, mas ela sabe que, seja lá qual for a palavra que eu use pra chama-la, eu tenho muito amor por ela. Pelo crivo bíblico, se não tem má intenção, nem humilha ninguém, então não é palavrão. Talvez se eu chamar uma outra pessoa será palavrão, mas com minha prima Gisele não é.

Outra referência que as pessoas gostam de usar é Mateus 12:36-37 que diz:

“Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado”.

Ora, se olharmos os versos anteriores veremos o mesmo sentindo, que o problema não é a palavra, mas a intenção do coração (Mt. 12:34).

Não é minha intenção fazer uma apologia ao palavrão e dizer que o crente pode falar palavrão. Minha intenção é dizer que não devemos fazer juízo precipitado e sair julgando as coisas sem ver todo o contexto da comunicação. Assim, concluo que, dependendo do contexto, falar algumas palavras tidas como palavrão, pode não é pecado nenhum. Falar palavrão não é o problema. O problema é a intenção em prejudicar e maltratar o outro.


Ass. Jony Bigu, que não é boca suja, pois escova os dentes no mínimo três vezes ao dia...

Um comentário:

Glayvid Santos disse...

Genial Jony.

Simplesmente o que EU concluí com minha reflexão bíblica.

Porém você como é um cabra arrombado, e usou as palavras certas a defender o ponto!

Parabéns, bicho rei doido! :D