domingo, 7 de junho de 2015

A parábola do Bom Travesti

Jony Bigu 

Certo homem, pai de uma família tradicional, descia a ponte da Barra do Ceará, entre as cidades de Fortaleza e Caucaia. E vieram três bandidos e roubaram todo o seu dinheiro e bateram muito nele, deixando-o desacordado. E aconteceu que passando um músico de uma igreja, olhou para o homem caído e nada fez, pois precisava chegar à igreja antes do culto para afinar o instrumento. Pouco tempo depois, passou outro homem, pastor de igreja. Este, afirmando estar muito atrasado para sua celebração, não se solidarizou com o ferido, pois, além do atraso, teria que sujar sua roupa. E por fim, passou naquele local um travesti que caminhava em direção ao bar onde costumava se encontrar com outros travestis. E vendo aquele homem ferido, lembrou que por várias vezes foi vítima de violência e que geralmente não era aparada por ninguém. Lembrou também de seu pai, que foi morto num episódio de violência urbana quando ele era ainda criança. Então, compadeceu-se do homem caído e o levou para o bar onde ficava. Lá, junto com outras pessoas, o fizeram acordar e lhe deram água e comida. O homem agradeceu ao travesti pelo que fez e foi para sua casa reconhecendo que aquele fato foi um livramento que Deus deu a sua vida usando quem ele menos imaginaria.


Certamente esse texto me escandalizaria há alguns anos. Certamente eu ficaria com raiva do autor. Certamente essas ideias ficariam no meu juízo me fazendo pensar em algum argumento para refutar. Bem, pelo menos ele me faria pensar. Foi isso que Jesus fez com os judeus ao falar a parábola original (Lucas 10: 30-37). O samaritano era quem menos um judeu imaginaria para fazer tal ato de benevolência. Na cabeça do judeu era praticamente impossível o agir de Deus vir por meio de um samaritano. Não estou afirmando nada sobre a religiosidade dos travestis. A única coisa que pretendo dizer é que todos são “o próximo” que Jesus pediu que amássemos, seja qual for a opção sexual, cor da pele, classe social, gênero e demais diferenças.

ass. Jony Bigu - que aproveitou o tempo livre do domingo pra escrever suas sandices aqui no missoessalem.blogspot.com

Um comentário:

Anônimo disse...

Ótima reflexão se garantiu mesmo em todos os aspectos, só acrescentaria um detalhe ao falarmos das travestis hoje nos referimos no feminino as travestis e não os travestis.