sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Aécio, os evangélicos e o mundo do faz de conta.

Por Jony Bigu

Fico pensando como os evangélicos do Brasil vivem no mundo de faz de conta. É! Fazemos de conta que nossos líderes da mídia são pessoas honestas. Fazemos de conta que os políticos crentes não fazem politicagem como os outros. Isso porque irregularmente fazemos campanha política em igrejas, o que é proibido pelo artigo n° 37 da Lei 9.504/97, mas fazemos de conta que isso é “um projeto de Deus”. Fazemos de conta que isso não é corrupção. Para nós, corrupção é o que o PT faz. Mas quando é o candidato Aécio Neves, fazemos de conta que ele é uma boa pessoa. Fazemos de conta que ele é um cara honesto, fazemos de conta que ele nunca bateu na namorada, fazemos de conta que ele nunca foi preso dirigindo embriagado. E até o caso da cocaína é para nós apenas uma história de faz de conta. Pois a polícia prendeu um funcionário dele, em um helicóptero dele, em uma fazenda dele, indo para outra fazenda dele, para encontrar outro funcionário dele. Mas isso é só aparência e todo crente sabe que as aparências não contam, pois vivemos no mundo do faz de conta e fazemos de conta que isso é fé.
Daí, o PSC, “partido dos crentes”, recebe dinheiro para apoiar esse candidato. Os líderes do partido fazem de conta que não ganharam nada e convocam o povo evangélico para apoiar o candidato tucano, fazendo de conta que ele é uma benção. Alimentamos um discurso de ódio, mas fazemos de conta que está tudo bem. Oramos, fazendo de conta que Deus está do nosso lado, fazendo as nossas vontades. Deus, esse não faz de conta, não tem nada a ver com essa história nem se mete nisso. Mas nós, mesmo sabendo disso, fazemos de conta que o Todo Poderoso está com a gente, para fazer de conta pros outros que somos invencíveis.
Se o candidato tucano ganhar, vamos fazer de conta que essa foi a vontade de Deus. Caso haja aumento das desigualdades sociais, desemprego e outras mazelas, vamos fazer de conta que é um castigo que o Senhor está colocando para o Brasil. Aceitar que erramos, jamais! Vamos continuar fazendo de conta que está tudo bem e que somos quase perfeitos.

Talvez alguns evangélicos não gostem desse texto. Mas tudo bem. É só fazer de conta que nunca leu esse texto e continuar fazendo de conta que não sabe de nenhuma dessas informações e assim continuar fazendo de conta que isso tudo não é um faz de conta.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O combate ao pecado e a falta de graça.


Estava de bobeira na frente da tv quando vi em um noticiário a chegada do torcedora gremista acusada de injuria racial contra o goleiro santista Aranha para prestar depoimento em uma delegacia. Em meio a gritos raivosos, a moça saiu chorando muito.

Não quero colocar panos quentes numa atitude desprezível que a gremista cometeu, mas quero levantar outra questão. Será que estamos combatendo ações desprezíveis da maneira correta? Será que combater o ódio com o ódio dará resultado?

Achei ridículo a atitude da torcedora. Fiquei com muita raiva mesmo. Somos todos seremos humanos, e quando criamos diferenças dentro de nós, estamos apenas contribuindo para nossa destruição.

O racismo deve ser combatido com rigor. Todo crime deve ter sua punição, mas aplicação da justiça não restringe o perdão. A nossa terra está carente de graça e perdão. Peço a Deus para que nossos corações se tornem semelhante ao Dele, que abomina o pecado, mas recebe e cuida do pecador.


Sola Gratia...

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Falar palavrão não é o problema...

Por Jony Bigu

Essa é uma pergunta que já ouvi algumas vezes. Antes de tentar responder, gostaria de explicar o que eu entendo como palavrão. Tudo vai depender dessa definição. Geralmente, as pessoas dizem que palavrão são palavras de baixo calão. Aí vamos para outra questão: quais são as palavras de baixo calão. Varias fontes na internet falam que a expressão baixo calão dizia respeito ao andar de baixo dos navios negreiros, onde eram trazidos os escravos. A expressão tomou sentido na língua brasileira, tornando-se sinônimo de gíria. Ou seja, quando falamos de baixo calão, falamos de gírias, jargão baixo.

Com isso temos a seguinte conclusão usando o próprio termo calão. A questão não está na palavra escrita (a simples junção de letras), mas no significado que estas assumem na comunicação. Aqui a questão torna-se mais complexa, pois outras variáveis entram: a forma da comunicação, os indivíduos envolvidos na comunicação, além de outras coisas. Ou seja, há uma serie de fatores a serem considerados na comunicação.

Então, eu entendo que quando Paulo fala de palavras torpes (Ef. 4:29), ele não fala da simples junção de letras. Na versão Nova Tradução na Linguagem de Hoje, o versículo é traduzido da seguinte forma:
“Não digam palavras que fazem mal aos outros, mas usem apenas palavras boas, que ajudam os outros a crescer na fé e a conseguir  o que necessitam, para que as coisas que vocês dizem façam bem aos que ouvem” Ef 4:29 NTLH.

A questão não está na palavra em si, mas na intenção de prejudicar outra pessoa. Assim, palavra torpe seria qualquer palavra, mesmo não sendo de baixo calão, mas que seja mal intencionada ao irmão.

Aqui está a grande questão: por que julgamos algumas palavras somente pela sua grafia e toleramos palavras carregadas de maldade só por causa das palavras usadas? Isso é uma grande incoerência.

Dessa maneira, concluo também que algumas palavras consideradas de baixo calão podem não ser palavras torpes. Ora, só pra questão de exemplo (pode me julgar, sociedade kkkkkk), eu tenho uma prima que amo muito e carinhosamente eu a chamo de “cara de chibata”. Pra alguns, isso deve ser horrível, mas ela sabe que, seja lá qual for a palavra que eu use pra chama-la, eu tenho muito amor por ela. Pelo crivo bíblico, se não tem má intenção, nem humilha ninguém, então não é palavrão. Talvez se eu chamar uma outra pessoa será palavrão, mas com minha prima Gisele não é.

Outra referência que as pessoas gostam de usar é Mateus 12:36-37 que diz:

“Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado”.

Ora, se olharmos os versos anteriores veremos o mesmo sentindo, que o problema não é a palavra, mas a intenção do coração (Mt. 12:34).

Não é minha intenção fazer uma apologia ao palavrão e dizer que o crente pode falar palavrão. Minha intenção é dizer que não devemos fazer juízo precipitado e sair julgando as coisas sem ver todo o contexto da comunicação. Assim, concluo que, dependendo do contexto, falar algumas palavras tidas como palavrão, pode não é pecado nenhum. Falar palavrão não é o problema. O problema é a intenção em prejudicar e maltratar o outro.


Ass. Jony Bigu, que não é boca suja, pois escova os dentes no mínimo três vezes ao dia...

terça-feira, 1 de abril de 2014

O moralismo cristão e a campanha "eu não mereço ser estuprada"

Nos últimos dias, vi muita gente comentando a tal pesquisa do IPEA acerca das causas de estupros de mulheres. Dentre muitas opiniões, me chamou a atenção a opinião de muitos evangélicos que se incomodaram não com o resultado da pesquisa, mas com a maneira do protesto das mulheres. Isso porque para protestar contra o resultado da pesquisa, várias mulheres começaram a postar fotos seminuas na internet com a frase “eu não mereço ser estuprada”. Foram raríssimas as opiniões cristãs contra esse cenário machista que predomina em nossa sociedade. Ouvi muito foi o nosso velho moralismo que teima em permanecer (misericórdia de nós, meu Senhor!).

Mas aí alguém vai me falar: “Jony, você é a favor desse bando de piriguete que se aproveita da situação para se mostrar? Se ela nem mesmo se respeita porque vai querer que alguém lhe respeite?”

Eu sei que existem várias meninas que gostam de se insinuarem sim, gostam de provocar os desejos masculinos, mas entre sensualizar e ser abusada há uma grande diferença. Ora, quando ela sensualiza, além de mexer com os desejos masculinos, ela mexe com os seus também. Carnal, pecaminoso, mesmo que seja, há algum tipo de prazer nisso. No abuso não! O abuso sexual é um ato covarde, animalesco, aterrorizante. Não há prazer nenhum no abuso, pelo contrário, há muita dor. O abuso é um mal horrível.

O que me deixa triste é ler comentários de crentes concordando com a tal pesquisa indiretamente, desejando algo terrível para outro ser humano igual a ele.

Lembro-me de Jesus quando teve seus pés beijados por Maria Madelena, a prostituta (com certeza ela não estava vestida como uma irmã assembleiana). Enquanto até mesmo seus discípulos a julgavam, o Mestre saiu em defesa dela. Enquanto todos faziam dela uma pessoa indigna, Jesus devolveu-lhe a dignidade. E é isso que, nesse mundo machista, as mulheres mais precisam: dignidade. Em vez de julgarmos pela aparência, vamos lutar para que, independentemente do comportamento de algumas, todas as mulheres sejam valorizadas.

Ass. Jony Bigu – que mais uma vez escreve seus devaneios.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O beijo gay na Globo e o falso moralismo de muitos crentes


Por Jony Bigu

Às vezes eu fico pensando que tem muito crente moralista que não tem nada o que fazer. Quem me conhece sabe da minha posição em relação ao homossexualismo e, para quem não sabe, eu digo: para mim, a homossexualidade é pecado conforme afirma a Bíblia, assim como mentir, jogar pedra no gato, extorquir o povo usando a bíblia entre outras coisas que um vários crentes fazem e não veem problema. Mas não é sobre isso que eu queria falar. Quero voltar a minha mensagem para um bando de crente hipócrita que agora está fazendo campanha contra a Rede Globo só por causa do beijo entre os personagens de Thiago Fragoso (Niko) e Mateus Solano (Felix) no último capítulo da novela “Amor à vida”.

Mas alguém vai me dizer: “Jony, eles estão fazendo ‘apologia’ a valores anticristãos”. Certo, mas então por que os crentes não fizeram campanha nas cenas de violência, corrupção, traição, assédio moral, entre outras vistas ao longo da novela? Sabe por quê? Porque a grande maioria é hipócrita mesmo. Ora, o que é um beijo além de uma expressão íntima de afeto? Durante toda a novela, houve várias cenas de homoafetividade, aí  a galera vem fazer essa briga toda por conta de um beijo? Gente, por favor, né! Sobre as cenas quase pornográficas entre os personagens de Maria Casadevall (Patrícia) e do “irmão” Caio Castro (Michel), não houve reclamações! Isso só porque era um casal heterossexual (mantendo uma relação de adultério, que é pecado!)

Se você é crente e faz uma grande briga por conta de um afeto homossexual e acha normal a violência, o adultério, o assédio moral e a corrupção, se converta, pois você é apenas um falso moralista. Nós evangélicos estamos criando uma guerra que não deveria existir.

Ass. Jony Bigu – que assistiu a novela e não vai entrar na onda dos falsos moralistas.