sábado, 26 de dezembro de 2015

O primeiro natal que não deu certo: uma reflexão para o outro natal.

Por Jony Bigu

Esse post está atrasado. Deveria ter sido feito semana passada. Mas lido agora, você poderá aproveitar seu próximo natal. Ontem à tardinha uma criança na rua me desejou feliz natal depois de receber uma moeda. Por um instante pensei em como seria o natal daquela criança. Mas o sinal abriu e o mundo insensível me furtou daquela reflexão. Depois de comer bastante e ficar empanturrado me lembrei daquela criança. Será que o natal dela deu certo como o meu? Ou deu errado? E existe natal que dá errado? Depois de pensar um pouco, vi que nem sempre algumas celebrações saem como o planejado.
Lembro de certo casal que viajava pelo território palestino. O nome deles era José e Maria. Maria estava grávida. Desde o início de sua gestação, José se mostrou muito responsável, pois recebera uma revelação de Deus falando que a vida no ventre de Maria era obra do Espírito Santo.
Não sei quais eram os planos de José. Eles precisavam fazer essa viajem para responder um censo pedido pelo imperador romano. Mas será que daria tempo? Não sei, mas acho que José não planejou o nascimento de seu filho da forma que foi. Que pessoa responsável em sã consciência planejaria ter um filho numa cidade estranha, pequena e sem ter nenhum parente ou conhecido? Quem planejaria ter um filho num estábulo junto com vacas e ovelhas? Por que não esperar mais um pouco para dar tempo voltar para casa? Ou mesmo para chegar em Jerusalém, cidade com maior estrutura para receber visitantes?
Não! Não deu certo! O menino inventou de nascer num momento inoportuno. O casal não encontrou hospedaria em Belém. Não houve quem oferecesse um compartimento de sua casa, ou mesmo um quartinho nos fundos. O casal teve que se virar. Nascer numa manjedoura não foi um detalhe para que a história ficasse mais emotiva. Como falamos aqui no Ceará, nascer ali foi o jeito mesmo. Jesus não seria menos Deus se nascesse com todos os cuidados possíveis para aquela época. Se tivesse melhores condições para o nascimento do menino, certamente José teria escolhido. Mesmo naquele local inadequado, a alegria estava estampada no rosto do casal. Sorriso que está eternizado nos inúmeros presépios mundo a fora. Outros convidados apareceram. Pastores e até reis foram visitar o menino pobre que nasceu em Belém. Se a festa precisava de convidados agora não faltava mais. Além de Deus providenciar um coral de anjos para jubilar o nascimento do menino.
Voltando à história do menino no sinal, acho que o natal dele não deu muito certo, como o do menino que nasceu em Belém. Oro para meu Deus, para que no próximo natal eu não seja como as famílias de Belém, que não se importaram com a aflição daquele pobre casal, mas que eu seja como os pastores, os anjos ou os reis do oriente para participar e estar junto daqueles cujo natal deu errado.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O EVANGELHO PARA UMA CIDADE DESIGUAL: os desafios socioambientais


“Cuidar do meio ambiente é, para mim, um compromisso de vida, um ministério. Não um ministério no sentido eclesiástico ou teológico, mas um ministério que tem suas raízes no cristianismo.” Mariana Silva
“No princípio criou Deus os Céus e a Terra” Gn 1:1.
Introdução
O relato da criação descrito no primeiro capítulo de Gênesis mostra-nos um detalhe importante. Deus cria um mundo harmonioso a partir de uma realidade caótica. A terra “sem forma e vazia” vai ganhando condições de habitabilidade. Flora e fauna são criadas e colocadas à disposição do homem. A história é testemunha de que temos sido negligentes com o meio ambiente. Flora e fauna têm sofrido prejuízos irreparáveis, e nós estamos sentindo na pele os impactos do desequilíbrio ambiental.
O processo de destruição do meio ambiente se acelerou desde a Revolução Industrial no século XVIII. Além do uso mais intenso dos recursos naturais, o grande crescimento das cidades sem o aumento das infraestruturas urbanas colocou a população em condições sanitárias bastante precárias. Rios e riachos que ocupavam o sítio urbano foram poluídos, tornando-se esgotos a céu aberto, ou foram desviados, canalizados, assoreados, ou simplesmente desapareceram por serem aterrados. Houve também um aumento significativo de lixo. O resultado desse aumento foi o acúmulo desses resíduos em lixões, sem o tratamento adequado. Séculos já passaram e ainda hoje a cidade sofre com esses problemas.
Os problemas ambientais são problemas sociais.
A afirmativa acima é um elemento importante. Somos parte da criação como um todo e devemos compreender que os problemas ambientais significam muito mais que um desequilíbrio ecológico; ele é, antes de tudo, um problema social nas cidades. Serão as pessoas mais pobres que sofrerão de forma mais árdua os problemas ambientais urbanos. Basta fazermos algumas perguntas: que classe social mora próxima a leitos dos rios em seus trechos mais degradados e poluídos? Quem mora vizinho a lixões? Que população habita próxima às áreas industriais e sofrem diariamente com a poluição? O sistema de saneamento ambiental (água, esgoto, resíduos sólidos e drenagem urbana) nas cidades é distribuído com equidade? Não precisa nem responder. Nós já sabemos a resposta.
O fato é que estamos reproduzindo uma cidade em que algumas pessoas pagam mais caro por um erro de todos. Isso configura uma desigualdade e uma injustiça. E o pior: quem paga mais caro é a parcela da população que mais necessita de ajuda. Somos, enquanto sociedade, culpados por essa desigualdade. De alguma forma, nós corroboramos com esse sofrimento dos mais pobres.
Mas por que não percebemos isso?
Historicamente, negligenciamos muito as questões ambientais. Aliás, vários críticos apontam o cristianismo como um sistema que não dá importância às questões ambientais. Para eles, os cristãos não se importam com os elementos da natureza, assim como fazem as religiões de matriz africana. Os sistemas religiosos de matriz africana apresentam grande devoção aos fenômenos naturais. Eles mostram reverência e devoção aos elementos naturais. Eles os respeitam e os temem.
O monoteísmo judaico-cristão adora a um Deus pessoal que é totalmente diferente e independente das coisas criadas. Ele não se confunde com suas criaturas. Além disso, preterimos a ideia de dar grande importância às criaturas. É claro que Deus não está consubstanciado na natureza, como prega o panteísmo, todavia, as criaturas de Deus proclamam sua glória. Como propôs o salmista: "Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos" (Salmo 19.1). Se os céus declaram a glória do pai, a negligência de nossa sociedade a deturpa com uma grande quantidade de poluição jogada na atmosfera e no aumento do buraco na camada de ozônio. O pecado de nossa sociedade a impede de ver com clareza a glória de Deus na criação. Todavia, devemos acreditar que a glória do Senhor encherá toda a terra (Nm 14:21).
Assim na terra como no céu.
Outro fator que nos fez negligenciar nossas responsabilidades terrenas foi nossa busca desenfreada pelo céu. Quando pensamos em aquecimento global, enchentes nas cidades, surto de doenças em comunidades pobres que moram próximas a rios, ou deslizamento de terra que acabou com dezenas de casas construídas sobre um antigo lixão, pensamos no Reino do porvir. Nossa presunção e egoísmo não nos deixa enxergar que também temos nossa parcela de culpa. E ao invés de repensar sobre nosso papel na construção da sociedade, alguns usam essas catástrofes para pregarem um “evangelho” do medo a fim de “converter” as pessoas.
O Reino de Deus se realiza tanto nessa terra como no porvir. A vontade de Deus deve se manifestar tanto aqui como céu. O equilíbrio e a harmonia que ansiamos no céu, devemos ansiar para a terra também.
A nossa cidade
Assim como nas outras capitais do país, a cidade de Fortaleza apresenta um cenário de vulnerabilidade para um significativo número de seus habitantes. Os casos mais emblemáticos são das comunidades que vivem próximo aos leitos dos rios. A maior parte dessas comunidades está nas margens do rio Maranguapinho, que corta um trecho significativo da periferia sudoeste de Fortaleza. Aliada à precariedade social (é nessa área em que se encontram os bairros mais pobres da cidade), a vulnerabilidade ambiental intensifica o processo de exclusão das pessoas mais pobres que moram nessas comunidades. Além das comunidades do Maranguapinho, alguns casos próximos ao rio Cocó e ao litoral (principalmente o oeste) da cidade também apresentam sérios problemas socioambientais.
Em suma
O entendimento de nossa cidade é o primeiro passo para refletirmos sobre nossa fé e nossa relevância social considerando toda criação de Deus. Algumas pessoas estão sofrendo mais por conta do desequilíbrio causado por todos nós enquanto sociedade. Além de estender a mão a estes desditosos, é necessário lutarmos contra toda essa produção desigual do espaço em nossa cidade. Deus nos abençoe. 

sábado, 26 de setembro de 2015

O Evangelho para uma cidade desigual: o caso de Babel.


Depois disseram: "Vamos construir uma cidade, com uma torre que alcance os céus. Assim nosso nome será famoso e não seremos espalhados pela face da terra". Gn 11:4
“Os sentimentos mais genuinamente humanos logo se desumanizam na cidade.” Eça de Queirós
INTRODUÇÃO
Diversas críticas já foram feitas aos sistemas religiosos por estes insistirem na separação entre sagrado e profano. Essa separação é vantajosa aos líderes desse sistema, pois, ao desvincular a prática cotidiana da prática espiritual, permite que grande número de fiéis se transforme em pessoas comuns, ao passo que os líderes se “especializam” em práticas espirituais e se tornam indivíduos diferenciados das pessoas comuns.
Outro fato que é resultado dessa separação é quanto à relevância dos templos. A prática religiosa tornou-se essencialmente uma prática entreparedes. O templo passou a ser o lócus da prática religiosa. É claro que várias organizações religiosas estabelecem programas fora do templo. Programas geralmente voltados para um público de pessoas que não faz parte de seu ciclo religioso. São programas proselitistas. Quando estes programas extra templo não conseguem direcionar as pessoas ao templo são tratados como fracasso.
Desse modo, pensar a prática religiosa na rua é algo bastante complicado no atual contexto religioso. Para muitos a rua é local da vadiagem, as esquinas são locais perigosos, ocupadas por pessoas violentas, mas não local de adoração e louvor a Deus. A cidade é totalmente negligenciada e esquecida.
Esquecemos que a cidade é construída socialmente por todos nós. E ela é apenas a materialização de nossas práticas sociais. A cidade é violenta porque pessoas são violentas. A rua é deserta porque pessoas não a ocupam. A cidade é desigual socialmente porque nós reproduzimos essa desigualdade. Quando tememos a cidade, tememos nossa própria condição de homens.
Se levarmos nossa prática religiosa para rua, ao invés de a restringirmos ao templo e aos nossos encontros, poderemos transformar o estado de vulnerabilidade social e ambiental de nossa cidade. Isso só acontecerá quando admitirmos que o Reino de Deus é maior que nosso ciclo religioso. Admitirmos que Deus é o Senhor de tudo e de todos. Admitirmos que todos podem ser “cidadãos” do Reino do Pai. Se nossa relação com Deus pode nos transformar, então também podemos transformar a cidade!

Uma cidade desigual: o retrato da negligência com o meio ambiente e com o próximo.
O relato de Genesis 1 e 2 mostra um Deus criador prezando e responsabilizando o homem pela sua criação. De uma terra caótica, “sem forma de vazia”, Ele estabelece um equilíbrio entre os seres vivos. O pecado é quem desfaz o equilíbrio pensado por Deus. Uma sociedade desiquilibrada é resultado do pecado.
Os problemas sociais de nossa cidade só mostram nossa negligência em não observar os princípios da criação e o amor ao próximo. Falamos de “próximo” aqui considerando toda humanidade.
A cidade de hoje é bem diferente da que imaginávamos há algumas décadas. Com os avanços na tecnologia, na política e nos direitos individuais, poderíamos ter construído a cidade marcada pela liberdade, igualdade e fraternidade. Cidade onde todos tivessem oportunidades de emprego e acesso à cultura e ao lazer. Mas fizemos justamente o contrário. Construímos a cidade da competição. Na cidade não há espaço para todos. Uns devem morar bem, outros devem se sujeitar à precariedade e sobreviver em condições muito ruins.
A competição gera solidão. Não é difícil encontrar pessoas que não se relacionam com seus vizinhos ou até nem sabe seus nomes. Não há comunicação. Poderíamos até dizer que a cidade de hoje é uma grande Babel. Aquela velha história do povo que se reuniu numa planície nas terras da antiga Mesopotâmia para construir uma torre, como relata a Bíblia. Eis aqui algumas semelhanças.
Babel era um grande ajuntamento humano, todavia, não havia comunhão nenhuma entre seus habitantes. Não são raros os casos de pessoas que moram em certo local e não conhecem seus vizinhos. Os ônibus circulam lotados de pessoas que parecem viver sozinhas com seus mundos criados a partir de seus fones de ouvidos. Os smartphones parecem também criar vários universos paralelos. Nossa cidade é uma das mais populosas do Brasil, mas conseguimos em poucos minutos falar o nome de todas as pessoas com as quais nos relacionamos cotidianamente.
Babel era a clara expressão do orgulho humano e da autoproteção. Os habitantes de Babel sonhavam em construir uma torre que chegasse aos céus. Queriam ser grandes, únicos e poderosos. O testemunho da história nos fez saber que seu tempo passou. Outros povos poderosos surgiram e deixaram de existir como Babel. Nosso orgulho e egoísmo podem fazer sucumbir nossa sociedade. E nem adiantou queimar bem os tijolos e colocar betume. Nossa autoproteção nos faz evitar contatos. Faz-nos desconfiar de tudo. No final, ficaremos apenas nós e nossa autoproteção.

E agindo dessa forma, estamos construindo uma cidade desigual. Uma expressão clara de nosso pecado. A desigualdade de social em nossas cidades, assim como em outras cidades, é resultado de inúmeras relações sociais como as citadas em Babel. Fomos nós que reproduzimos isso. Pensar nossa cidade de outra maneira pode ser uma alternativa para juntos construirmos um modelo de cidade não semelhante à Babel. Deus nos abençoe.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

O dia que Deus usou a banda Engenheiros do Hawaii para despertar meu coração.

“Seria mais fácil fazer como todo mundo faz!” Foram essas as palavras que mexeram comigo. Ela é parte de uma música da banda Engenheiros do Hawaii. Ao ouvir, fiquei pensando como minha vida poderia ser diferente na minha antiga igreja se eu tivesse feito diferente. Na verdade, feito igual à maioria. Feito o que todo mundo faz.

E se eu tivesse ficasse calado diante da hipocrisia? Seria melhor ter fingido que tudo está bem em nome de uma aparente unidade?

E se eu fosse da extrema direita? Acho que muitos iriam gostar se eu me posicionasse a favor da pena de morte, da redução da maioridade penal.

Mas acho que a galera iria ao delírio mesmo se eu declarasse guerra aos homossexuais. Eu seria contra qualquer tipo de direito civil aos gays, pois não bastaria o preconceito já sofrido. Eles deveriam sofrer mais pra saber que seu pecado é ruim.

Sim, seria mais fácil se eu jogasse o jogo religioso. Eu tinha quase todas as virtudes necessárias para me dar bem. Eu sou comunicativo, em algumas coisas sou determinado e gosto de estudar a Bíblia. Opa! Foi justamente essa última que me fez cair. Na verdade, eu tinha que aparentar estudar a Bíblia, isso seria mais fácil.

Mas ao ler a Bíblia vi que as coisas não eram assim. Vi que se nós nos calarmos diante da hipocrisia não somos bons crentes, mas somos covardes. Vi que a unidade da igreja não é fundamentada na aparência e covardia, mas na pregação da verdade. Cristo é a verdade.

Vi também que devo amar a todos sem distinção nenhuma. Aprendi também que a verdadeira transformação moral é feita pelo Espírito Santo e não por uma legislação moralista.


Aprendi que é melhor “viver em outra frequência”. 

Ouça e seja edificado. 


domingo, 7 de junho de 2015

A parábola do Bom Travesti

Jony Bigu 

Certo homem, pai de uma família tradicional, descia a ponte da Barra do Ceará, entre as cidades de Fortaleza e Caucaia. E vieram três bandidos e roubaram todo o seu dinheiro e bateram muito nele, deixando-o desacordado. E aconteceu que passando um músico de uma igreja, olhou para o homem caído e nada fez, pois precisava chegar à igreja antes do culto para afinar o instrumento. Pouco tempo depois, passou outro homem, pastor de igreja. Este, afirmando estar muito atrasado para sua celebração, não se solidarizou com o ferido, pois, além do atraso, teria que sujar sua roupa. E por fim, passou naquele local um travesti que caminhava em direção ao bar onde costumava se encontrar com outros travestis. E vendo aquele homem ferido, lembrou que por várias vezes foi vítima de violência e que geralmente não era aparada por ninguém. Lembrou também de seu pai, que foi morto num episódio de violência urbana quando ele era ainda criança. Então, compadeceu-se do homem caído e o levou para o bar onde ficava. Lá, junto com outras pessoas, o fizeram acordar e lhe deram água e comida. O homem agradeceu ao travesti pelo que fez e foi para sua casa reconhecendo que aquele fato foi um livramento que Deus deu a sua vida usando quem ele menos imaginaria.


Certamente esse texto me escandalizaria há alguns anos. Certamente eu ficaria com raiva do autor. Certamente essas ideias ficariam no meu juízo me fazendo pensar em algum argumento para refutar. Bem, pelo menos ele me faria pensar. Foi isso que Jesus fez com os judeus ao falar a parábola original (Lucas 10: 30-37). O samaritano era quem menos um judeu imaginaria para fazer tal ato de benevolência. Na cabeça do judeu era praticamente impossível o agir de Deus vir por meio de um samaritano. Não estou afirmando nada sobre a religiosidade dos travestis. A única coisa que pretendo dizer é que todos são “o próximo” que Jesus pediu que amássemos, seja qual for a opção sexual, cor da pele, classe social, gênero e demais diferenças.

ass. Jony Bigu - que aproveitou o tempo livre do domingo pra escrever suas sandices aqui no missoessalem.blogspot.com

sábado, 9 de maio de 2015

O Deus Pai é Deus Mãe

Por Jony Bigu

Chega o dia das mães, é festa em inúmeras residências Brasil a fora. Uma homenagem mais que justa, pois comemorasse a mais celebre forma de amor entre os homens: o amor de materno. É um amor tão grande que o próprio Deus o usa para fazer uma analogia com seu amor.

“Será que uma mãe pode esquecer o seu bebê? Será que pode deixar de amar seu próprio filho? Mesmo que isso acontecesse, eu nunca esqueceria vocês.” Is. 49:15 (NTLH).

Em várias passagens da bíblia, Deus se revela fazendo uso do amor maternal para nos fazer entender seu grandioso amor.

1.       Deus sofre com os pecados dos filhos e faz de tudo para restaura-lo assim como uma mãe.

“Fiquei muito tempo em silêncio, e me contive, calado. Mas agora, como mulher em trabalho de parto, eu grito, gemo e respiro ofegante. [...] Essas são as coisas que farei; não os abandonarei.” Is. 42:14,16b (NVI).

Nesse texto, Deus fala das dores sentidas durante o período do exílio (período que Judá permaneceu sobre domínio babilônico).

2.       Deus consola seu povo assim como uma mãe consola seus filhos.

“Assim como uma mãe que consola seu filho, também eu os consolarei; em Jerusalém vocês serão consolados ” Is. 66:13 (NVI).

Após o doloroso período do exílio Babilônico, Deus promete consolar seu povo na terra deles. Assim como o colo de uma mãe, o colo de Deus também é consolador depois de grande sofrimento.

3.       Deus cuida e ensina seus filhos mesmo não tendo o devido reconhecimento.

“Quando Israel era menino, eu o amei, e do Egito chamei o meu filho. Mas quanto mais eu o chamava, mais ele se afastava de mim. [...] Mas eu fui quem ensinou Efraim a andar, tomando-o nos braços [...] Eu o conduzi com laços de bondade humana e de amor; tirei do seu pescoço o jugo e me inclinei para alimentá-los.” Oseias 11:1-4 (NVI).

Esta linda passagem, mostra o cuidado que Deus teve com o seu povo. Ele o amou desde o tempo que Israel era um menino mal criado. É Ele quem conduz seu povo com bondade humana, sim, a bondade entre os homens é expressão do amor de Deus. Além disso, Ele é quem toma o nosso jugo e se inclina para nos dar de mamar.

O amor materno de Deus também aparece nas palavras de Jesus quando este desejou cuidar de Jerusalém como uma galinha que cuida de seus pintinhos debaixo de suas asas (Lc 13:34). Jesus estava triste, pois Jerusalém não havia entendido o que era o Reino de Deus. O cuidado do Senhor nos liberta e nos ensina a voar. E se algum dia fraquejarmos, Ele estará próximo para nos amparar.
 
“Como a águia ensina os filhotes a voar e com suas asas estendidas os pega quando estão caindo, assim o Senhor Deus cuida do seu povo .” Deuteronômio 32:11 (NTLH).

Deus ama como mãe.

Ass. Jony Bigu – que nunca será mãe, mas foi amado demais pela Rosinha, sua mãe, e por isso entendeu a profundidade do amor materno.

sábado, 2 de maio de 2015

Deus nos chamou para ser Igreja

Por Jony Bigu


Pensar sobre a igreja é algo que me deixa bem entusiasmado. É sempre bom pensar e refletir sobre o corpo de Cristo. Quero falar de igreja no sentido bíblico e não no sentido comum e, até mesmo, equivocado que esse termo tomou.

É bastante comum ouvirmos frases do tipo: “vamos à igreja hoje”. Outra frase que me deixa um tanto contrariado é: “de que igreja você é?”. Geralmente, com um sorriso no rosto e um tom de brincadeira respondo: “eu sou da única igreja que existe, sou da igreja de Jesus Cristo!”. Mas eu entendo o que as pessoas estão perguntando. Elas querem saber que instituição religiosa eu frequento. Essa é a principal confusão em torno do termo igreja.

Igreja é diferente de instituição, organização, entidade ou qualquer corporação de cunho religioso. As instituições, organizações e entidades podem até ser igreja, mas o contrário não é verdadeiro. A igreja está para além do simples ajuntamento de pessoas.  Nas palavras de Wayne Jacobsen e Dave Colemam *:

“Igreja é uma palavra que não identifica um local ou uma instituição. Ela descreve um povo e como os membros desse povo se relacionam uns com os outros. Quando se perde isso de vista, nossa compreensão da igreja fica distorcida e deixamos de usufruir a alegria que ela pode nos dar. Jesus não fala da igreja como um lugar aonde se vai, mas como um modo de viver na relação com Ele e com os que O seguem.”

Essa questão espacial da igreja como um local que contém a presença de Deus é algo que está na mente das pessoas há muito tempo. A construção de um referencial especial é uma forma do homem expressar poder (discussão sobre o espaço geográfico me deixa entusiasmado também, mas pode deixar que este geógrafo aqui não vai além disso neste texto). Na religião, este referencial espacial que contém Deus se materializou socialmente como o templo.

O homem tem um desejo perene de Deus. Tê-lo sempre próximo é sinal de segurança e benção. Construir um lugar próximo que pudesse conter a presença de Deus permanentemente seria ótimo. Eis aí a ideia de templo de muitas pessoas, de fazer de um Deus sempre em movimento, um Deus estático e sempre disponível ao desejo delas. Elas querem prender a Plenitude de tudo dentro de quatro paredes. Trata-se, na verdade, do velho desejo de controlar ou mesmo domesticar Deus. O grande problema é que não há como controlar Deus. Ele não se reduz a um templo.

No Israel antigo, o templo foi usado para controle social de massa. O rei Salomão, sem grande carisma para guerra, foi um construtor por excelência. Ele foi responsável pela construção magnífica do templo. À custa de pesados impostos e até de trabalho forçado, o rei fez com que o esplendor do templo mascarasse a dura cerviz do povo e tudo isso fosse admitido como devoção. Até mesmo a ostentação do rei em seu palácio era considerada como manifestação da glória de Deus diante do povo hebreu e de outras nações. Salomão conseguiu construir o “centro do mundo” tendo domínio do espaço sagrado e do poder político e econômico. Em outro momento poderemos discutir uma teologia do templo mais a fundo, mas esse não é nosso propósito aqui.

O fato é que, ainda hoje, muitos desejam controlar a divindade. Quem domesticar Deus, restringindo-O a uma organização e a uma prática religiosa. Tais indivíduos estabelecem um patrão de relacionamento com o Senhor e se colocam como procuradores dessa divindade. São essas pessoas que reproduzem a ideia do templo como sinônimo de igreja. E muitas vezes até nós mesmos reproduzimos essa ideia sem percebemos. Dizemos que nossa organização é a verdadeira, advogamos em favor de nossas práticas religiosas e, muitas vezes, esquecemos o que é verdadeiramente ser igreja. Isso mesmo: ser e não pertencer ou frequentar. Igreja eu sou onde eu estiver me relacionando com Deus e com o meu próximo. Igreja eu sou em qualquer lugar, porque Deus não está preso numa caixa de concreto.

Para concluir, deixo uma indicação de uma boa música do grupo Palavrantiga, da qual sempre lembro quando estou falando de igreja.

Casa

Deus preferiu essa carne
Não quis os templos que eu posso construir
Com minhas mãos

Me fez casa
Eu sou morada
Lugar de Deus
Que não está lá fora
Mas sim mora dentro de mim

Abri a porta e Ele entrou em casa.
Estou em obras.
Essa morada um dia será perfeição!

Deus preferiu essa carne
Não quis os templos que eu posso construir
Com minhas mãos, não!

Me fez casa
Eu sou morada
Lugar de Deus
Que não está lá fora
Mas sim mora dentro de mim

A minha janela são estes olhos que brilham
Uma coisa ela mostra
Quem a ilumina é o meu Amado
Mudando as coisas de lugar
Dentro de mim, dentro de mim

Eu sou casa
lugar de Deus
Ele habita em mim

Lá fora é frio
Lá fora é medo
É alto de monte
Deserto, vazio

Morando em mim, Tu me aqueces
Me ensina a ser livre
Santo Espírito me enche de alegria

Eu sou casa
lugar de Deus

Ele habita em mim


* Extraído do livro "Porque você não quer mais ir a igreja?"

sábado, 18 de abril de 2015

Não concordo com o meu pastor; o que faço?

Por Jony Bigu

Essa é uma pergunta que costumo receber.  Geralmente é feita por jovens. Antes de responder, é necessário observar uma série de questões. Nossos jovens estão cada vez mais pragmáticos, e a resposta que eles geralmente querem ouvir é “procure outra igreja!” ou “faça isso ou aquilo”. Eles querem uma solução mágica para resolver seus problemas. Refletir e pensar não são tarefas das mais desejáveis. Geralmente, procuro responder pautado nos seguintes argumentos.

1 – Em que você discorda de seu pastor?
Percebo que grande parte das discordâncias é resultado de apenas um conflito de ego. Geralmente, os conflitos não envolvem questões fundamentais da doutrina cristã. São questões periféricas ou questões que envolvem a administração da instituição. Grande parte dos testemunhos de racha em igrejas é resultado disso. Parece-me que questões políticas e administrativas ganham mais peso que a comunhão, que deveria ser uma das principais marcas da igreja. Indico o bom livro É proibido do pr. Ricardo Gondim. Para questões doutrinárias fundamentais, indico o livro Cristianismo puro e simples de C. S. Lewis, texto de ideal conservador, mas que serve de parâmetro para discutirmos inúmeras questões.
2 – Sua igreja não é apenas seu pastor.
Sei que a figura pastoral é fundamental na igreja, mas ela não é tudo. Existe uma série de outras coisas que merecem ser observadas como: seu ministério pessoal (falo ministério como pratica de serviço e não cargos ou coisa do tipo), seu testemunho ao mundo e entre os irmãos da igreja.

O diálogo continua sendo o principal elemento de conciliação. É necessário que ambas as partes saibam dialogar. Se a mudança de instituição for realmente a única saída, pois isso está causando um prejuízo espiritual irreparável, tenha certeza que Deus agirá em favor disso. E quando esse momento chegar será inevitável a sua saída. O ideal é você estar atento para a voz de Deus pois, se for necessário, de alguma forma Ele claramente falará: “sai dela povo meu!”. Enquanto isso continue lutando em favor do bem de sua comunidade. Fomos chamados para isso: lutar pela igreja.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

Não! Nós não somos igreja!

Por Jony Bigu

Desde pequeno, minha mãe sempre se preocupou em me levar para a igreja. Com o passar do tempo e com a leitura da bíblia, comecei a compreender que a verdadeira igreja é constituída de pessoas e não de paredes. Aprendi que a humanidade é o elemento mais importante que um CNPJ. Dizer que somos igreja é uma verdade. Uma verdade que se aprende na prática e não na pregação de muitos templos.
Dizemos que somos igreja, mas fazemos questão de anunciar o nome de nossas instituições religiosas.
Dizemos que as pessoas são o que temos de mais importante, mas não paramos de nos preocupar com as questões administrativas do patrimônio material da instituição.
Dizemos que a verdadeira igreja é invisível e espalhada por todos os cantos da Terra, mas fazemos questão em dizer que nossa denominação é melhor que as outras.
Dizemos que a igreja deve ajudar a sustentar os mais necessitados, mas na prática fazemos justamente o contrário, pois são os pobres que sustentam as organizações religiosas.
Dizemos que cremos no sacerdócio universal, mas fazemos questão de venerar pessoas iguais a nós e damos a eles glória que não lhes pertence.
Cristo falou que nós somos igreja, mas fazemos questão em negá-lo com nossas práticas. Para nós, o templo é igreja. Ou entendemos errado, ou eu não sei o que somos. Somos qualquer coisa, menos igreja.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Roupas velhas

Por Jony Bigu

Arrumar as roupas é uma das tarefas que mais odeio fazer em casa. Para mim, é um trabalho que não vale muito a pena, pois em alguns dias tudo estará desarrumado novamente, todavia, é um trabalho necessário. Vejo velhas roupas. Roupas que geralmente me lembram de alguns momentos: uma entrevista, um aniversário, uma festa na casa dos amigos, ou coisa do tipo.

Experimenta a roupa e se olha no espelho a fim de ver como fica. Em alguns casos, você vai perceber que alguma coisa mudou e que algumas roupas já não serão usadas por você, seja por uma variação no peso ou por ter mudado alguns gostos.

Daí, fiquei pensando o quanto sofremos quando tentamos continuar usando algumas roupas que já não cabem mais nós. Ficamos sufocados, desajeitados e sem graça. É assim quando insistimos em ser o que não somos mais. E o problema não está na roupa; está em nós. Fomos nós que mudamos.

Ainda que queiramos, algumas roupas já não combinam com a gente e é preciso reconhecer isso. Nós mudamos assim como quase tudo nessa vida. Reconhecer que você não é mais o mesmo e avaliar se a mudança é positiva ou negativa é um exercício que devemos fazer sempre.

Depois de dobrar várias roupas, percebi que algumas delas precisam ser doadas e outras jogadas fora, pois já não cabem em mim. Graças a Deus, estou muito feliz com minha nova maneira de me vestir. Aqueles que gostam de mim não se importam com as roupas que uso, pois eles conhecem quem está dentro da roupa. Porém, os que não me conhecem continuarão me julgando com base na aparência. É difícil, mas decidi vestir-me para mim mesmo e não para agradar quem não gosta de mim. Faça você o mesmo.

Ass. Jony Bigu - que não tem roupas caras, mas anda no estilo.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Carnaval, cinzas e um baile sem máscaras.


Por Jony Bigu

Você pulou, bebeu, beijou, dançou, cantou e agora é só saudades. Saudades porque acabou a festa.  Saudade da máscara que você usou para poder participar da brincadeira. Essa máscara fez milagres. Fez você esquecer a realidade por um momento e deixar fluir toda sua sede de alegria. Com essa máscara, você fez coisa que jamais faria em seu cotidiano.

Agora acabou. Você coloca sua máscara na caixa esperando o outro carnaval e volta para o mundo sem máscara. Não poderia ter nome melhor para essa quarta-feira. Quarta-feira das cinzas de uma alegria efêmera que já passou. As palavras do poeta que dizia não haver felicidade, mas momentos felizes, começam a fazer sentido para você.

Mas será que realmente não há felicidade? Será que você realmente tem que passar o ano inteiro esperando apenas alguns momentos ocorrerem? E será assim por toda sua vida? Jesus disse certa vez: eu sou o bom pastor e dou vida em abundância. Vida em abundância é fazer valer a pena todos os instantes que se vive. Jesus disse que isso era possível. Eu experimentei e você também é convidado a experimentar. Mas se for fazer isso, procure por Ele (Jesus e não por religião). Foi isso que fiz. Acredite, é possível ser feliz sem máscaras.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Os cristãos, o “bolsa travesti” e o PT.

Por Jony Bigu

Nos últimos dias, vi muitos crentes criticando uma ação da prefeitura de São Paulo que oferece um benefício social no valor de um salário mínimo a travestis para que estes possam concluir o ensino básico e fazer um curso técnico. Eu até entrei no debate algumas vez e, como geralmente acontece, fui rechaçado mais uma vez.

Para explicar o meu ponto de vista, vamos imaginar a seguinte situação. Imagine que você resolve fazer um trabalho social em prol de um grupo de pessoas você conhece, na sua igreja. Você sabe que esse grupo é o que mais sofre com a violência. Além disso, você conhece que grande parte dessas pessoas sofre com a rejeição de seus familiares. Muitas até foram expulsas de casa quando ainda eram crianças. A situação dessas pessoas é realmente é triste.

Então, vocês resolvem dar uma ajuda financeira para essas pessoas para que elas tenham oportunidade de estudar e possam fazer um curso técnico para se capacitar e ter outras oportunidades. Você sabe que essa ajuda financeira será importante, pois caso eles não tenham, terão que se expor ao perigo da violência.

Você acha que essa atitude é má a sociedade? A situação que falei acima não é hipotética. Ela existe. A única diferença é que ao invés desse projeto ser uma ação da igreja é uma ação da prefeitura do PT. Outro detalhe importante é que o grupo excluído é um grupo de travestis. Para muitos “irmãos”, isso faz toda a diferença.

Talvez eu esteja errado, mas para mim é difícil achar que um grupo que mais sofre no Brasil com a exploração sexual, é vítima de preconceito diariamente, tem dificuldade em conseguir um emprego por conta de sua aparência, seja um grupo privilegiado só por conta de uma ajuda financeira para que possa estudar. Sinceramente, eu não consigo entender. Para mim, é triste ver os cristãos colocarem suas convicções políticas e um juízo de valor pela aparência acima da dignidade humana.


Deus tenha misericórdia de nós.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O ciclista, o desarmamento civil e uma esperança

Por Jony Bigu
Chovia pela manhã. Era um dia útil e eu precisava deixar minha esposa no trabalho. O trânsito estava bagunçado como costuma ser nos dias em que chove. Em um cruzamento, paro em cima de uma ciclofaixa esperando a oportunidade de entrar na via transversal (eu sei, eu errei).  Daí um ciclista vem e bate o ferro no para-choque do meu carro. Rapidamente ele pega uma ciclovia e foge. Nesse momento fui tomado por um ataque de raiva.
“Droga! Por que eu não vou atrás desse infeliz e dou uma encostada de leve pra derrubá-lo? Eu devia tirar pelo menos uma fina nesse desgraçado para mostrar para ele quem é o mais frágil.”
Sim, minha natureza é maldade. Se eu pensar só em mim, sou tentado a fazer as piores desgraças. O homem é naturalmente mal. Aí de mim se não fosse a graça de Deus.
O fato de estar teoricamente em vantagem em um carro me fez pensar que eu poderia fazer mal a alguém.  Ao chegar em casa entro numa discussão na internet defendendo o desarmamento civil. Pensei no que tinha ocorrido e cheguei  à seguinte conclusão.
Você é a favor do armamento civil até perceber que o pecado e a violência estão no coração do homem, e o armamento só intensificaria a barbárie e extinção humana. Seria melhor concentrar nossas energias em favor de uma cultura de paz e não numa cultura de medo e autoproteção. O mundo pode ser bem melhor que isso. E nós, igreja, podemos e devemos ser instrumento de transformação. Isso parece maluquice no atual contexto histórico, mas é assim que é a cultura do Reino de Deus, totalmente ilógica em relação à cultura dos homens sem Deus.  É difícil pensar numa alternativa, mas ainda tenho esperança.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Aécio, os evangélicos e o mundo do faz de conta.

Por Jony Bigu

Fico pensando como os evangélicos do Brasil vivem no mundo de faz de conta. É! Fazemos de conta que nossos líderes da mídia são pessoas honestas. Fazemos de conta que os políticos crentes não fazem politicagem como os outros. Isso porque irregularmente fazemos campanha política em igrejas, o que é proibido pelo artigo n° 37 da Lei 9.504/97, mas fazemos de conta que isso é “um projeto de Deus”. Fazemos de conta que isso não é corrupção. Para nós, corrupção é o que o PT faz. Mas quando é o candidato Aécio Neves, fazemos de conta que ele é uma boa pessoa. Fazemos de conta que ele é um cara honesto, fazemos de conta que ele nunca bateu na namorada, fazemos de conta que ele nunca foi preso dirigindo embriagado. E até o caso da cocaína é para nós apenas uma história de faz de conta. Pois a polícia prendeu um funcionário dele, em um helicóptero dele, em uma fazenda dele, indo para outra fazenda dele, para encontrar outro funcionário dele. Mas isso é só aparência e todo crente sabe que as aparências não contam, pois vivemos no mundo do faz de conta e fazemos de conta que isso é fé.
Daí, o PSC, “partido dos crentes”, recebe dinheiro para apoiar esse candidato. Os líderes do partido fazem de conta que não ganharam nada e convocam o povo evangélico para apoiar o candidato tucano, fazendo de conta que ele é uma benção. Alimentamos um discurso de ódio, mas fazemos de conta que está tudo bem. Oramos, fazendo de conta que Deus está do nosso lado, fazendo as nossas vontades. Deus, esse não faz de conta, não tem nada a ver com essa história nem se mete nisso. Mas nós, mesmo sabendo disso, fazemos de conta que o Todo Poderoso está com a gente, para fazer de conta pros outros que somos invencíveis.
Se o candidato tucano ganhar, vamos fazer de conta que essa foi a vontade de Deus. Caso haja aumento das desigualdades sociais, desemprego e outras mazelas, vamos fazer de conta que é um castigo que o Senhor está colocando para o Brasil. Aceitar que erramos, jamais! Vamos continuar fazendo de conta que está tudo bem e que somos quase perfeitos.

Talvez alguns evangélicos não gostem desse texto. Mas tudo bem. É só fazer de conta que nunca leu esse texto e continuar fazendo de conta que não sabe de nenhuma dessas informações e assim continuar fazendo de conta que isso tudo não é um faz de conta.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O combate ao pecado e a falta de graça.


Estava de bobeira na frente da tv quando vi em um noticiário a chegada do torcedora gremista acusada de injuria racial contra o goleiro santista Aranha para prestar depoimento em uma delegacia. Em meio a gritos raivosos, a moça saiu chorando muito.

Não quero colocar panos quentes numa atitude desprezível que a gremista cometeu, mas quero levantar outra questão. Será que estamos combatendo ações desprezíveis da maneira correta? Será que combater o ódio com o ódio dará resultado?

Achei ridículo a atitude da torcedora. Fiquei com muita raiva mesmo. Somos todos seremos humanos, e quando criamos diferenças dentro de nós, estamos apenas contribuindo para nossa destruição.

O racismo deve ser combatido com rigor. Todo crime deve ter sua punição, mas aplicação da justiça não restringe o perdão. A nossa terra está carente de graça e perdão. Peço a Deus para que nossos corações se tornem semelhante ao Dele, que abomina o pecado, mas recebe e cuida do pecador.


Sola Gratia...

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Falar palavrão não é o problema...

Por Jony Bigu

Essa é uma pergunta que já ouvi algumas vezes. Antes de tentar responder, gostaria de explicar o que eu entendo como palavrão. Tudo vai depender dessa definição. Geralmente, as pessoas dizem que palavrão são palavras de baixo calão. Aí vamos para outra questão: quais são as palavras de baixo calão. Varias fontes na internet falam que a expressão baixo calão dizia respeito ao andar de baixo dos navios negreiros, onde eram trazidos os escravos. A expressão tomou sentido na língua brasileira, tornando-se sinônimo de gíria. Ou seja, quando falamos de baixo calão, falamos de gírias, jargão baixo.

Com isso temos a seguinte conclusão usando o próprio termo calão. A questão não está na palavra escrita (a simples junção de letras), mas no significado que estas assumem na comunicação. Aqui a questão torna-se mais complexa, pois outras variáveis entram: a forma da comunicação, os indivíduos envolvidos na comunicação, além de outras coisas. Ou seja, há uma serie de fatores a serem considerados na comunicação.

Então, eu entendo que quando Paulo fala de palavras torpes (Ef. 4:29), ele não fala da simples junção de letras. Na versão Nova Tradução na Linguagem de Hoje, o versículo é traduzido da seguinte forma:
“Não digam palavras que fazem mal aos outros, mas usem apenas palavras boas, que ajudam os outros a crescer na fé e a conseguir  o que necessitam, para que as coisas que vocês dizem façam bem aos que ouvem” Ef 4:29 NTLH.

A questão não está na palavra em si, mas na intenção de prejudicar outra pessoa. Assim, palavra torpe seria qualquer palavra, mesmo não sendo de baixo calão, mas que seja mal intencionada ao irmão.

Aqui está a grande questão: por que julgamos algumas palavras somente pela sua grafia e toleramos palavras carregadas de maldade só por causa das palavras usadas? Isso é uma grande incoerência.

Dessa maneira, concluo também que algumas palavras consideradas de baixo calão podem não ser palavras torpes. Ora, só pra questão de exemplo (pode me julgar, sociedade kkkkkk), eu tenho uma prima que amo muito e carinhosamente eu a chamo de “cara de chibata”. Pra alguns, isso deve ser horrível, mas ela sabe que, seja lá qual for a palavra que eu use pra chama-la, eu tenho muito amor por ela. Pelo crivo bíblico, se não tem má intenção, nem humilha ninguém, então não é palavrão. Talvez se eu chamar uma outra pessoa será palavrão, mas com minha prima Gisele não é.

Outra referência que as pessoas gostam de usar é Mateus 12:36-37 que diz:

“Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado”.

Ora, se olharmos os versos anteriores veremos o mesmo sentindo, que o problema não é a palavra, mas a intenção do coração (Mt. 12:34).

Não é minha intenção fazer uma apologia ao palavrão e dizer que o crente pode falar palavrão. Minha intenção é dizer que não devemos fazer juízo precipitado e sair julgando as coisas sem ver todo o contexto da comunicação. Assim, concluo que, dependendo do contexto, falar algumas palavras tidas como palavrão, pode não é pecado nenhum. Falar palavrão não é o problema. O problema é a intenção em prejudicar e maltratar o outro.


Ass. Jony Bigu, que não é boca suja, pois escova os dentes no mínimo três vezes ao dia...

terça-feira, 1 de abril de 2014

O moralismo cristão e a campanha "eu não mereço ser estuprada"

Nos últimos dias, vi muita gente comentando a tal pesquisa do IPEA acerca das causas de estupros de mulheres. Dentre muitas opiniões, me chamou a atenção a opinião de muitos evangélicos que se incomodaram não com o resultado da pesquisa, mas com a maneira do protesto das mulheres. Isso porque para protestar contra o resultado da pesquisa, várias mulheres começaram a postar fotos seminuas na internet com a frase “eu não mereço ser estuprada”. Foram raríssimas as opiniões cristãs contra esse cenário machista que predomina em nossa sociedade. Ouvi muito foi o nosso velho moralismo que teima em permanecer (misericórdia de nós, meu Senhor!).

Mas aí alguém vai me falar: “Jony, você é a favor desse bando de piriguete que se aproveita da situação para se mostrar? Se ela nem mesmo se respeita porque vai querer que alguém lhe respeite?”

Eu sei que existem várias meninas que gostam de se insinuarem sim, gostam de provocar os desejos masculinos, mas entre sensualizar e ser abusada há uma grande diferença. Ora, quando ela sensualiza, além de mexer com os desejos masculinos, ela mexe com os seus também. Carnal, pecaminoso, mesmo que seja, há algum tipo de prazer nisso. No abuso não! O abuso sexual é um ato covarde, animalesco, aterrorizante. Não há prazer nenhum no abuso, pelo contrário, há muita dor. O abuso é um mal horrível.

O que me deixa triste é ler comentários de crentes concordando com a tal pesquisa indiretamente, desejando algo terrível para outro ser humano igual a ele.

Lembro-me de Jesus quando teve seus pés beijados por Maria Madelena, a prostituta (com certeza ela não estava vestida como uma irmã assembleiana). Enquanto até mesmo seus discípulos a julgavam, o Mestre saiu em defesa dela. Enquanto todos faziam dela uma pessoa indigna, Jesus devolveu-lhe a dignidade. E é isso que, nesse mundo machista, as mulheres mais precisam: dignidade. Em vez de julgarmos pela aparência, vamos lutar para que, independentemente do comportamento de algumas, todas as mulheres sejam valorizadas.

Ass. Jony Bigu – que mais uma vez escreve seus devaneios.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O beijo gay na Globo e o falso moralismo de muitos crentes


Por Jony Bigu

Às vezes eu fico pensando que tem muito crente moralista que não tem nada o que fazer. Quem me conhece sabe da minha posição em relação ao homossexualismo e, para quem não sabe, eu digo: para mim, a homossexualidade é pecado conforme afirma a Bíblia, assim como mentir, jogar pedra no gato, extorquir o povo usando a bíblia entre outras coisas que um vários crentes fazem e não veem problema. Mas não é sobre isso que eu queria falar. Quero voltar a minha mensagem para um bando de crente hipócrita que agora está fazendo campanha contra a Rede Globo só por causa do beijo entre os personagens de Thiago Fragoso (Niko) e Mateus Solano (Felix) no último capítulo da novela “Amor à vida”.

Mas alguém vai me dizer: “Jony, eles estão fazendo ‘apologia’ a valores anticristãos”. Certo, mas então por que os crentes não fizeram campanha nas cenas de violência, corrupção, traição, assédio moral, entre outras vistas ao longo da novela? Sabe por quê? Porque a grande maioria é hipócrita mesmo. Ora, o que é um beijo além de uma expressão íntima de afeto? Durante toda a novela, houve várias cenas de homoafetividade, aí  a galera vem fazer essa briga toda por conta de um beijo? Gente, por favor, né! Sobre as cenas quase pornográficas entre os personagens de Maria Casadevall (Patrícia) e do “irmão” Caio Castro (Michel), não houve reclamações! Isso só porque era um casal heterossexual (mantendo uma relação de adultério, que é pecado!)

Se você é crente e faz uma grande briga por conta de um afeto homossexual e acha normal a violência, o adultério, o assédio moral e a corrupção, se converta, pois você é apenas um falso moralista. Nós evangélicos estamos criando uma guerra que não deveria existir.

Ass. Jony Bigu – que assistiu a novela e não vai entrar na onda dos falsos moralistas.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

ROLEZINHO É POUCO


Por Ed René Kivitz 


Estou absolutamente consciente da absurda e vergonhosa desigualdade social e da camuflada atitude racista presente no tecido cultural brasileiro. Acredito na necessidade do engajamento militante por transformações das estruturas econômicas e de poder político. Propago a atitude crítica em relação à superficialidade da democracia, quando existem milhões de cidadãos em situação de abandono, vitimados por um Estado envolvido em corrupção sistêmica e com sua máquina pública loteada à mercê de interesses particulares de setores ocupados apenas com a perpetuação de seus privilégios. Sou favor de toda e qualquer manifestação pacífica em termos de protestos e reivindicações justas para o bem comum. 

Caso você acredite que todo posicionamento com implicações sociais e políticas pode ser enquadrado em uma das duas categorias, direita e esquerda, considero seu ponto de vista reducionista e ultrapassado. A sugestão de que quem apoia rolezinho é de esquerda, e portanto progressista, e quem não apoia é de direita, e portanto reacionário, é um anacronismo que polariza a discussão, impede a melhor compreensão dos fatos, atrapalha a necessária identificação do conflito subjacente ao fenômeno social, e atrasa a urgente construção coletiva de alternativas de caminhos de justiça e paz. 

Uma coisa é o rolezinho da galera da periferia, que ocupou os shoppings centers em busca de um espaço de lazer, azaração e desejo de consumo, em que a atitude transgressiva é inerente aos atos da adolescência e da juventude e a crítica à estrutura social é uma dimensão indireta. Outra coisa é a instrumentalização feita pelos militantes profissionais e grupos sociais organizados, que se apressaram em ideologizar / antropologizar / sociologizar / academicizar o movimento. Digo logo, eu acredito é na rapaziada. 

Acho chata essa mania de categorizar ideologicamente todo fenômeno ou comportamento social e explicar de maneira inteligente tudo o que acontece. Acho ridículo esse pessoal que considera o Big Brother um case de psicologia comportamental e um retrato sociológico e antropológico do Brasil. Da mesma maneira, não curto o pessoal que se apropria do rolezinho da molecada e se intromete de maneira oportunista para enfiar no meio da multidão suas bandeiras e gritos de guerra. Rolezinho com caráter político não é mais rolezinho, é protesto, passeata, movimento. A molecada quer pegar umas mina, tirar umas fotos bacanas para postar no face e, se der pra comprar um tênis mizuno, tá bom demais. Rolezinho não é militância. O que sugere, ainda outra coisa, a saber, a relevância das militâncias: a necessária mobilização popular a partir da reflexão crítica dos fatos socias. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Essa discussão sobre rolezinho me fez lembrar a diferença entre emancipação e libertação, especialmente a partir do pensamento do semiótico Walter Mignolo e do filósofo Enrique Dussel, ambos argentinos. Emancipação é originalmente a busca da liberdade. Implica o rompimento dos vínculos que impedem a autodeterminação. Exige a rebelião do indivíduo (ou grupo social) contra o que o limita e aprisiona a toda e qualquer condição de existência adversa independentemente de sua vontade própria.

Mignolo critica o conceito de emancipação, afirmando que se enquadra no universo discursivo do iluminismo, e, portanto, do que chamamos modernidade, que pretendia universalizar o modelo da classe social emancipada das monarquias, baseado na liberdade individual, fundamento da expansão colonial da Europa. Dussel sugere o termo libertação como mais adequado, pois implica o rompimento com as categorias do iluminismo europeu e do pensamento colonial moderno. A emancipação sugere a ascensão na estrutura social estabelecida pela burguesia europeia, enquanto a libertação implica o questionamento e a transformação dessa estrutura. Em termos simples, emancipado é quem sobe a escada social, libertário é quem questiona a existência da escada e acredita inaceitável que se considere justa e definitiva uma sociedade estratificada. 

A garotada que ocupa os shoppings centers não está fazendo crítica ao capitalismo neoliberal, e se calhar tá mais a fim de um boné john john e um smartphone com câmera fotográfica turbinada do que interessada em grandes debates e reivindicações de classe. Tudo indica que está mais comprometida com a emancipação. Apenas indiretamente está dizendo que não aceita como natural seu lugar na base da pirâmide e não vai mais permanecer nos perímetros geo-sociais delimitados pela burguesia. E todos têm sua razão. Quem vive longe da justiça não deve ser criticado por aspirar ao conforto. 

Também é verdadeiro que, além da emancipação, precisamos caminhar a passos mais largos na direção da libertação. Não basta distribuir ou dar acesso aos bens de consumo. É imperativo acelerar os processos de transformação das estruturas que promovem a perpetuação dos abismos sociais. 

Mais do que prática repetitiva, mantenedora do status quo, que tolera a inconformidade desde que submetida ao controle, carecemos de uma práxis libertadora, nos termos do teólogo espanhol Casiano Floristan. Práxis é ação reflexiva, com a coragem de perguntar por que as coisas são como são, questionar se precisam continuar assim, e criativa o suficiente para propor outro jeito de ser gente e ser sociedade, e lançar as sementes que fazem surgir um outro mundo possível.

Os fatos ocorridos no JK Iguatemi, em São Paulo, no sábado 18 de janeiro último, ilustram os conceitos de emancipação e libertação. Os rolezinhos geraram um constrangimento que levou o shopping a fechar as suas portas. Na calçada, ficaram tanto a molecada que em sua maioria queria apenas emancipação, quanto os grupos sociais organizados, que militam por libertação. Tomara a molecada aprenda que rolezinho se faz na praça de alimentação, mas militância se faz na calçada. Tomara as duas multidões se encontrem além da busca de emancipação, e marchem juntas a passos largos, rua afora pelo nosso Brasil, clamando e se mobilizando por libertação.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Como reconhecer uma seita?

Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes 

Existem milhares de religiões neste mundo, e obvia­mente nem todas são certas. O próprio Jesus advertiu seus discípulos de que viriam falsos profetas usando Seu nome, e ensinando mentiras, para desviar as pessoas da verdade (Mateus 24.24). O apóstolo Paulo também falou que existem pessoas de consciência cauterizada, que falam mentiras, e que são inspirados por espíritos enganadores (1 Timóteo 4.1-2).

Nós chamamos de seitas a essas religiões. Não estamos dizendo que to­dos os que pertencem a uma seita são deson­estos ou mal intencionados. Existem muitas pessoas sinceras que caíram vítimas de falsos profetas. Para evitar que isto ocorra conosco, devemos ser capazes de distinguir os sinais característicos das seitas. Embora elas sejam muitas, possuem pelo menos cinco marcas em comum:

(1) Elas têm outra fonte de autori­dade além da Bíblia. Enquanto que os cristãos admitem apenas a Bíblia como fonte de conhecimento verdadeiro de Deus, as seitas adotam outras fontes. Algumas forjaram seus próprios livros; outras aceitam revelações diretas da parte de Deus; outras aceitam a palavra de seus líderes como tendo autoridade divina. Outras falam ainda de novas revelações dadas por anjos, ou pelo próprio Jesus. E mesmo que ainda citem a Bíblia, ela tem autoridade inferior a estas revelações.

(2) Elas acabam por diminuir a pessoa de Cristo. Embora muitas seitas falem bem de Jesus Cristo, não o consideram como sendo ver­dadeiro Deus e verdadeiro homem, nem como sendo o único Salvador da humanidade. Reduzem-no a um homem bom, a um homem di­vinizado, a um espírito aperfeiçoa­do através de muitas encarnações, ou à mais uma manifestação diferente de Deus, igual a outros líderes religiosos como Buda ou Maomé. Freqüentemente, as seitas colocam outras pessoas no lugar de Cristo, a quem adoram e em quem confiam.

(3) As seitas ensinam a salvação pelas obras. Essa é uma característica universal de todas as seitas. Por acreditarem que o homem é intrinsecamente bom e capaz de por si mesmo fazer o que é preciso para salvar a sua alma, pregam que ele pode acumular méritos e vir a merecer o perdão de Deus, através de suas boas obras praticadas neste mundo. Embora as seitas sejam muito diferentes em sua aparência externa, são iguais neste ponto. Algumas falam em fé, mas sempre entendem a fé como sendo um ato humano meritório. E nisto diferem radicalmente do ensi­no bíblico da salvação pela graça mediante a fé.

(4) As seitas são exclusivistas quanto à salvação. Pregam que somente os membros do seu grupo religioso poderão se salvar. Enquanto que os cristãos reconhecem que a salvação é dada a qualquer um que arrependa-se dos seus pecados e creia em Jesus Cristo como único Senhor e Salvador (não importa a denominação religiosa), as seitas ensinam que não há salvação fora de sua comunidade.

(5) As seitas se consideram o grupo fiel dos últi­mos tempos. Elas ensinam que re­ceberam algum tipo de ensino se­creto que Deus havia guardado para os seus fiéis, perto do fim do mundo. É interessante que toda vez que nos aproximamos do fim de um milênio, cresce o número de seitas afirman­do que são o grupo fiel que Deus reservou para os últimos dias da humanidade.

Podemos e devemos ajudar as pes­soas que caíram vítimas de alguma seita. Na carta de Tiago está es­crito que devemos procurar ganhar aqueles que se desviaram da ver­dade (Tiago 5.19-20). Para isto, entretanto, é preciso que nós mes­mos conheçamos profundamente nossa Bíblia bem como as doutri­nas centrais do Cristianismo. Mais que isto, devemos ter uma vida de oração, em comunhão com Cristo, para recebermos dele poder e amor e moderação.